Segunda-feira, 29 de Junho de 2009
Amizades depreciativas...

 

 

As amizades são-nos tão necessárias como a água que nos sacia a sede. Podemos viver sem amores, mas nunca sem amigos!

 

No entanto é insensato pensar que a amizade é um sentimento sentido por todos, da mesma forma. O ser humano relaciona-se com os outros através da sua própria percepção, filtrando o mundo através da sua grelha de saberes, experiências e vivências anteriores. Muitas vezes na nossa vida acabamos por vivenciar amizades amargas, depressivas e muito depreciativas!

 

Estas surgem quando alguém que se sente em baixo se aproxima de nós para lhe darmos apoio. Sentimo-nos lisonjeados porque alguém reconhece em nós um psicólogo em potência, como se fôssemos mais confortáveis que o próprio sofá de um psicólogo. Passamos a seguir de perto uma certa amizade depressiva, tornamo-nos disponíveis porque sabemos que alguém precisa de nós. Ouvimos dias e dias as mesmas lamentações, passamos horas ao telefone ou até em presença a prestar atenção a confidências e até segredos sombrios... que não gostamos de descobrir, mas se não formos nós quem o fará? Por vezes, até prejudicamos outras pessoas (familiares, amigos, amores) não estando com elas para dar assistência à tal amizade depressiva. A verdade é que a amizade retribui, é capaz de fazer qualquer coisa por nós, gosta também de saber que pode dar uma certa dose de reciprocidade. No fundo, o que é a amizade, senão uma certa entre-ajuda, uma certa reciprocidade nos sentimentos e nas acções?

 

E há um momento em que aquela amizade depressiva melhora e ficamos contentes. Já não somos imprescindíveis.  Sentimos então que aquela amizade depressiva passa a uma amizade simples!

Mas e se um dia somos nós que entristecemos, sentimo-nos infelizes e precisamos de alguém? Possivelmente decidimos recorrer a quem já passou por isso. Achamos que sim, que esse alguém poderá compreender-nos, ouvir-nos, prestar a atenção que precisamos. Pensamos que as sementes de amizade que andámos a plantar tantos meses, ou mesmo anos, deram fruto e que podemos colher palavras de carinho, conforto e amizade, tempo de partilha e toda a disponibilidade que puder.

 

O problema é que muitas vezes isso não acontece. Ouvem umas vezes, mas outras nem atendem o telefone. Aparecem umas vezes e outras nem sabemos onde estão. A reciprocidade não funcionou, estão ocupados com os seus afazeres, com outras pessoas e o tempo que nos sobra é quase nenhum. Ao fim duns tempos, compreendemos que, se dependermos dessa pessoa para nos rerguermos, bem que podemos ficar lá bem no fundo do poço, concientes que estamos sozinhos e que se quisermos passar a perna à depressão, só o poderemos fazer por nós próprios. Nestes momentos a tal amizade depressiva que pensávamos ter passado a uma amizade simples, revela-se sim numa amizade depreciativa.  A vida continua e a depressão acaba sempre por passar, mas houve algo que se quebrou. Sentimos um amargo sabor de menosprezo como um pequeno fosso que já se torna difícil de se ultrapassar. Passamos a ver cada nova amizade com o olho clínico da selecção porque queremos evitar que uma situação semelhante aconteça de novo nas nossas vidas. 

 

Felizmente que as pessoas não são todas iguais e há amizades depressivas que se curam, que passam a simples (e importantes) amizades e não chegam nunca a ser depreciativas... bem pelo contrário :)! 

Tenham uma excelente semana!

 



publicado por Sheila às 00:56
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Segunda-feira, 25 de Maio de 2009
Sensibilidades...

 

Fácil é ocupar um lugar na agenda telefónica.

Difícil é ocupar o coração de alguém. 

 

Fácil é julgar os erros de outros.

Difícil é reconhecer os nossos próprios erros.

 

Fácil é ferir quem nos ama.

Difícil é curar essa ferida. 

 

Fácil é perdoar a outros.

Difícil é pedir perdão.

 

Fácil é exibir a vitória.

Difícil é assumir a derrota com dignidade. 

 

Fácil é sonhar todas as noites.

Difícil é lutar por um sonho.

 

Fácil é orar todas as noites.

Difícil é encontrar Deus nas pequenas coisas. 

 

Fácil é dizer que amamos.

Difícil é demonstrá-lo todos os dias...

 

Fácil é criticar os demais.

Difícil é melhorar-nos a nós mesmos... 

 

Fácil é pensar em melhorar.

Difícil é deixar de pensá-lo e realmente fazê-lo..

 

Fácil é receber.

Difícil é dar. 

 

Fácil é ler este texto

Dificil é pô-lo em prática...

 



publicado por Sheila às 18:52
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Sexta-feira, 22 de Maio de 2009
Limites!

 

 

Somos as primeiras gerações de pais decididos a não repetir com os filhos, os erros dos nossos progenitores e com o esforço de abolirmos os abusos do passado.

Somos os pais mais dedicados e compreensivos mas, por outro lado os mais bobos e inseguros que já houve na história.

O grave é que estamos a lidar com crianças mais “espertas” do que nós, ousadas, e mais “poderosas” que nunca!

Parece que, na nossa tentativa de sermos os pais que queríamos ser, passamos de um extremo ao outro.

Assim, somos a última geração de filhos que obedeceram aos seus pais e a primeira geração de pais que obedecem aos seus filhos.

Os últimos que tivemos medo dos pais e os primeiros que tememos os filhos.

Os últimos que cresceram sob o mando dos pais e os primeiros que vivem sob o jugo dos filhos.

E, o que é pior, os últimos que respeitamos os nossos pais e os primeiros que aceitamos que os nossos filhos nos faltem com o respeito.

À medida que o permissível substítuiu o autoritarismo, os termos das relações familiares mudou de forma radical, para o bem e para o mal.

Com efeito, antes se considerava um bom pai, aquele cujos filhos se comportavam bem, obedeciam às suas ordens, e os tratavam com o devido respeito. E bons filhos, as crianças que eram formais, e veneravam os seus pais, mas à medida em que as fronteiras hierárquicas entre nós e os nossos filhos foram-se desvanecendo...

Hoje, os bons pais são aqueles que conseguem que seus filhos os amem, ainda que pouco o respeitem.

E são os filhos, quem agora, esperam respeito dos seus pais, pretendendo de tal maneira que respeitem as suas ideias, os seus gostos, as suas preferências e sua forma de agir e viver.

E que além disso, que patrocinem no que necessitarem para tal fim.

Quer dizer; os papéis inverteram-se!!

Agora são os pais que têm que agradar aos seus filhos para “ganhá-los” e não o inverso como no passado.

 

Isto explica o esforço que fazem tantos pais e mães para serem os melhores amigos e “darem tudo” aos seus filhos.

Dizem que os extremos se atraem. Se o autoritarismo do passado encheu os filhos de medo dos seus pais, a debilidade do presente os preenche de medo e menosprezo aos nos verem tão débeis e perdidos como eles.

Os filhos precisam de perceber que durante a infância, estamos à frente das suas vidas, como líderes capazes de sujeitá-los quando não os podemos conter e de guiá-los, enquanto não sabem para onde vão...

É assim que evitaremos que as novas gerações se afoguem no descontrolo e tédio no qual está afundando uma sociedade que parece ir à deriva, sem parâmetros nem destino.

Se o autoritarismo suplanta, o permissível sufoca.

Apenas uma atitude firme, respeitosa, lhes permitirá confiar na nossa idoneidade para governar as suas vidas enquanto forem menores, porque vamos à frente liderando-os e não atrás, carregando-os e rendidos às suas vontades.

Os limites abrigam o indivíduo. Com amor ilimitado e profundo respeito.

 

Mônica Monastério

 



publicado por Sheila às 22:01
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Quinta-feira, 21 de Maio de 2009
ESPELHO

 

 

Renato quase não viu a senhora, com o carro parado na berma. Chovia forte e já era noite.

Mas percebeu que ela precisava de ajuda...

...Assim parou o seu carro e aproximou-se. O carro dela cheirava a tinta, de tão novinho.

A senhora pensou que pudesse ser um bandido! Ele não parecia seguro, parecia pobre e faminto...

Renato percebeu que ela estava com muito medo e disse-lhe: “Eu estou aqui para ajudar a senhora, não se preocupe. Por que não espera no carro onde está quentinho?

A propósito, o meu nome é Renato”...

Bem, tudo que ela tinha era um pneu furado, mas para uma senhora sozinha, à noite, era ruim o suficiente. Renato abaixou-se, colocou o macaco e levantou o carro. Logo trocou o pneu, mas ficou um tanto sujo e ainda feriu uma das mãos...

Enquanto apertava as porcas da roda, ela abriu a janela e começou a conversar com ele. Contou-lhe de onde era e que só estava de passagem por ali, e que não sabia como agradecer-lhe pela preciosa ajuda. Renato apenas sorriu enquanto se levantava...

Ela perguntou-lhe quanto devia. Já tinha imaginado todos as terríveis coisas que poderiam ter acontecido se Renato não tivesse parado e ajudado. Renato não pensava em dinheiro, Gostava de ajudar as pessoas...

Este era o seu modo de viver. E respondeu: “Se realmente quiser pagar-me, da próxima vez que encontrar alguém que precise de ajuda, dê para essa pessoa a ajuda de que ela precisar e lembre-se de mim”.

Alguns kms depois a senhora parou num pequeno restaurante simples. A empregada veio até ela e trouxe-lhe uma toalha limpa para secar o cabelo molhado e dirigiu-lhe um doce sorriso...

A senhora notou que a moça devia estar com cerca de oito meses de gravidez, mas ela não deixou a  tensão e as dores mudarem a sua atitude...

A senhora ficou curiosa em saber como alguém que tinha tão pouco, podia tratar tão bem um estranho. Então lembrou-se de Renato. Depois de terminar a sua refeição, e enquanto a empregada se ausentou para tratar do troco, a senhora retirou-se...

Quando a moça voltou à mesa não encontrou a senhora, e ficou sem saber onde a  senhora poderia ter ido. Foi então que notou algo escrito no guardanapo, sob o qual tinha 4 notas de 100,00€...

Correram lágrimas nos seus olhos quando leu o que a senhora escreveu. Dizia: - Você não me deve nada, eu já tenho o bastante. Alguém me ajudou hoje e da mesma forma estou ajudá-la agora. Se você realmente quiser reembolsar-me por este dinheiro, não deixe este círculo de amor terminar com você, ajude alguém...

Naquela noite, quando foi para casa cansada e se deitou na cama, o seu marido já estava dormindo e ela ficou a pensar no dinheiro e no que a senhora havia deixado escrito...

Como pôde aquela senhora saber o quanto ela e o marido precisavam disto? Com o bébé que estava para nascer no próximo mês, como as coisas estavam difíceis...

Ficou a pensar na bênção que havia recebido e esboçou um grande sorriso...

Agradeceu a Deus e virou-se para o preocupado marido que dormia ao lado, deu-lhe um beijo macio e sussurrou:

-Tudo ficará bem; e eu amo.-te.. Renato!!

 

E assim é a vida! .... um Espelho! Tudo o que fazemos ou transmitimos no nosso dia a dia volta para nós...

 

 

"Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa enviar algum recado"

 

"A vida não é medida pelo número de respirações que damos, mas sim, pelos momentos que nos fazem prendê-la!"

 



publicado por Sheila às 21:02
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