Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009
As Pontes da Vida

 

A construção de uma ponte advém da necessidade de unir as margens dos rios e de interligar a vida existente de cada lado, de modo a que o rio que separa as margens passe a fazer parte da vivência das duas margens em conjunto.

 

Na nossa vida construimos pontes na união entre nós e outras pessoas, de forma a que aquilo que nos separa passe a ser parte integrante da vida em conjunto, sem que seja um obstáculo e passe a existir uma travessia por onde as duas vidas se possam unir de alguma forma.

Ao construírmos as pontes que nos ligam às pessoas que nos rodeiam é possível estabelecermos algum tipo de relação e aprendermos imenso com outros. Nunca deixamos de ser nós próprios mas desta forma permitimo-nos incorporar experiências e saberes até aí ignorados.

 

Qualquer ponte necessita de cuidados e de manutenção. Há que estar atento à sua conservação e ao seu estado, de modo a que o seu uso continue a ser seguro para unir as margens. Para se evitar a queda de uma ponte há que investir nas tarefas de recuperar, manter, solidificar e consolidar todos os aspectos que dela fazem parte. Quantas vezes o tempo e o desgaste leva a que se construam novas passagens, novas formas de travessia entre margens que ficam mais afastadas pela insegurança e desconfiança de uma velha ponte. Na certeza que uma nova ponte nunca será uma cópia da anterior, uma nova travessia surge adaptada à vida actual de cada margem. Em consonância com as condições de cada lado do rio evitam-se e esquecem-se erros anteriormente cometidos na ponte que é abandonada. Em qualquer situação a velha ponte permanecerá na memória e às vezes até se adopta um uso diferente só para que não se perca completamente.

 

E na vida também é assim! Temos que cuidar e tratar das pontes que nos unem aos outros, temos que estar atentos ao seu estado e à sua condição. Se a ruína ameaçar estas pontes temos que saber reagir e recuperar a travessia, recuperando ou construindo uma nova ponte. Por vezes temos que criar novas pontes quando refundamos as relações, partindo daquilo que somos hoje e não apenas copiando o que fomos ou que gostaríamos que fossemos.

 

Há paixões que se transformam em amores; amores que se renovam; amores que se tornam amizades; amizades que se reforçam; amizades que se transformam em paixões; paixões que se tornam belas recordações; empatias que se revelam amizades; amizades que se tornam companheirismo; paixões que crescem; paixões que se desfazem e cristalizam em amizades ou cumplicidades que se transformam em paixões...

Há, também, situações na vida em que já não existe vida para fluir entre as margens e a ponte deixa de fazer sentido continuar a existir. Mas nem sempre, a ponte deixa de existir, apenas se transforma na recordação de que existiu ali um dia.

 

Quantas amizades vamos esgotando ao longo da vida?

Quantas paixões se extinguem e deixam de resultar?

E quantos amores ficam gelados da cumplicidade que existia inicialmente e se desmoronam como fumaça?

 

Qualquer ponte é fundamental para o fluir da vida. Acontece tanto nas pontes que unem as margens dos rios como naquelas que ligam as pessoas nas suas relações.

 

Na vida temos mesmo que saber construir e manter as pontes que nos ligam aos outros, temos que tentar perceber em cada momento o que essas pontes significam e temos de encontrar as adaptações, alterações ou melhorias que devemos fazer para que continuem a ser uma forma de nos enriquecermos nas relações que estabelecemos com aqueles que nos rodeiam.

Nas pontes que entretanto vão desaparecendo ou transformando, temos que saber preservar a sua memória com base naquilo que nos tornamos, fruto do que aprendemos com elas.

 

 

Bom início de semana!

 



publicado por Sheila às 00:17
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De noitesemfim a 24 de Agosto de 2009 às 17:49
Minha amiga poderei deduzir do teu texto que estamos condenados a passar a vida a "construir" pontes para podermos continuar, para que a vida tenha sentido?
Então e não poderemos construir caminhos sólidos bem assentes quer na amizade quer no amor?
Certamente algumas pontes teremos que ser nós a lançar, sermos a margem de onde começou enquanto noutras e surpreendentemente seremos o lado onde ela, a ponte, acabou estabelecida que foi a ligação.
Mas onde está afinal a possibilidade de traçar rumos em direcção a objectivos pré definidos.
Não contesto o teu raciocínio, ele está de acordo com muito do que se passa hoje na sociedade em que vivemos onde os valores são voláteis onde o "carpe diem" faz lei.

Um beijo


De Sheila a 24 de Agosto de 2009 às 20:33
Meu querido amigo neste meu texto a ponte é uma analogia à ligação, união e relaccionamento entre as pessoas... apenas isso. Não vamos passar a vida a "construir" pontes, não é preciso porque inconscientemente ela cria-se por si só sempre que estabelecesses contacto com alguém. O caminho faz-se sem dúvida pelo nosso pé, e assente no relacionamento que tens com pessoas ou com diversas outras vertentes. Esta "ponte" apenas simboliza a união entre as margens da ligação entre as pessoas, os nossos relaccionamentos com os outros. Vivemos a vida com base nos tais objectivos que temos a capacidade de pre-definir, nem sempre as coisas correm bem, mas a vida continua e é no dia a dia que vamos olhando para trás e melhorando a nossa forma de estar em relações ou ligações a pessoas ou a situações... foi neste sentido que escrevi o texto, nunca que tenhamos obrigatoriamente que construir pontes para que a vida tenha sentido!
Sentido tem a nossa atitude, o nosso respeito, a forma como tratamos os outros, como cuidamos do que nos rodeia, etc... Para seguirmos em direcção a objectivos e desejos fazemo-lo através de ligações ou relacções (seja com pessoas, trabalho, nós próprios...) e assim como nas pontes reais (as que unem margens de rio) temos que ter atenção à forma como tratamos das nossas relações e ligações tanto de amizade, como de amor, como de trabalho...
Não sei se me fiz compreender, mas espero ter conseguido :)
Beijinhos doces amigo


De noitesemfim a 24 de Agosto de 2009 às 20:59
Minha cara amiga, compreendo perfeitamente o teu ponto de vista e concordo com ele.
Quero realçar apenas o facto de que no ponto de vista de inúmeras pessoas, hoje, o modo de viver que assumem, um dia de cada vez, estabelece uma relação mais rápida com o erguer de pontes amiúde porque não há projectos que resista a esse modo de viver.

Um beijo


De Sheila a 24 de Agosto de 2009 às 22:41
:) será que isso acontece por viver apenas um dia de cada vez? Eu acho é que inumeras pessoas vivem depressa demais, a ritmos alucinantes com a triste ilusão do viver intensamente demais e aqui sim não há "pontes" que aguentem a pressão desse ritmo.
Eu vivo um dia de cada vez no sentido consciente que não adianta fazer planos a médio longo prazo. Cada dia em que acordo é mais um dia precioso para a escalada nos meus objectivos de vida, cada momento é apreciado, cada pessoa que me rodeiam recebe de mim o que tenho para dar, mas vivo-o com a intensidade merecida e não como se fosse o último dia...
A falar do que está aqui em causa, não são as pontes, mas as próprias pessoas que são cada vez mais egoistas, egocentricas e querem as coisas à sua maneira e projectos ninguém faz no singular ou individualmente porque para tudo há que haver outro alguém ou outros alguéns... e as ligações e os relaccionamentos são feitos por pessoas, pelas suas essencias e posturas na vida. Ou há sintonia, respeito, vontade, atitude, benevolência, entendimento, etc ou ai sim não há projecto algum que resista.
Beijo grande para ti



De noitesemfim a 25 de Agosto de 2009 às 01:48
Bem minha cara deixemos então para a atitude egoista e egocêntrica, ou seja ter apenas olhos para o próprio umbigo o quebrar de pontes.
Estou em sintonia contigo.

Um beijo


De Sheila a 25 de Agosto de 2009 às 02:22

E que a ponte da nossa sintonia tenha sempre estes alicerces de respeito, compreensão e bom humor :)
Beijo enorme
Feliz!


De noitesemfim a 25 de Agosto de 2009 às 13:56
Apesar da distância (fisíca), brindemos a isso então!

Um beijo


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