Sexta-feira, 21 de Agosto de 2009
O Cântaro Partido

 

 

"Um aguadeiro indiano tinha dois grandes cântaros.

Transportava-os suspensos às duas extremidades de uma vara de madeira que se ajustava à forma dos seus ombros.

Um dos cântaros tinha uma brecha, e, enquanto o outro cântaro conservava perfeitamente toda a sua água da fonte até à casa do amo, o cântaro lascado perdia quase metade da sua preciosa carga durante o caminho.

Isto durou 2 anos, durante os quais, todos os dias, o aguadeiro só entregava um cântaro e meio de água em cada uma das suas viagens. Claro, o cântaro intacto sentia-se orgulhoso, visto que conseguia cumprir a sua missão do princípio até ao fim sem falhar. Mas o cântaro lascado tinha vergonha da sua imperfeição e sentia-se deprimido porque só conseguia cumprir metade do que era suposto ser capaz.

Ao fim de 2 anos daquilo que considerava como um desaire permanente, o cântaro lascado dirigiu-se ao aguadeiro, num momento em que este último o enchia na fonte:

- Sinto-me culpado, e peço que me desculpes.

- Porquê? - perguntou o aguadeiro - De que tens vergonha?

- Durante 2 anos, apenas consegui transportar metade da minha carga de água para o nosso amo, devido a esta brecha que deixa entornar a água. Por minha culpa, fazes todos estes esforços, e, no final, só entregas metade da água ao nosso amo.

Não obténs o conhecimento completo dos teus esforços - disse-lhe o cântaro lascado.

O aguadeiro ficou emocionado com esta confissão, e, cheio de compaixão, respondeu: - Enquanto voltamos à casa do amo, quero que observes as magníficas flores que estão à borda da estrada.

À medida que subiam pelo caminho, ao longo da colina, o velho cântaro viu, na borda do caminho, magníficas flores banhadas pelo sol, e aquilo aliviou-lhe o coração. Mas no fim do percurso, continuava a sentir-se mal porque tinha voltado a perder metade da sua água.

O aguadeiro disse ao cântaro:

- Apercebeste-te de que havia flores lindas do teu lado, e quase nenhuma do lado do cântaro intacto? Como sempre soube que entornavas água, decidi tirar partido disso. Espalhei sementes de flores no caminho do teu lado, e, todos os dias, tu regava-las durante todo o percurso. Durante 2 anos, consegui, graças a ti, apanhar flores magníficas que embelezaram a mesa do amo. Sem ti, nunca teria conseguido encontrar flores tão frescas e tão graciosas.

 

 "Ninguém é perfeito, mas mesmo as nossas brechas, feridas e defeitos são importantes porque fazem parte do todo que nós somos. Todos temos imperfeições e pontos fracos da mesma forma que temos muitas coisas boas e que devemos reconhecer em nós e nos outros.

Quando a nossa auto-estima está em baixo, acabamos por dar demasiada importância às nossas imperfeições. Achamos que somos inferiores e deixamos de acreditar em nós. Mas não podemos deixar que isso aconteça, porque temos de nos lembrar de todas as coisas boas que temos dentro de nós, temos de conseguir ver as flores que fazemos florescer apesar das brechas que temos.

 

E até a vida tem as suas brechas, feridas e defeitos e mesmo assim continua a ser bom poder viver essa vida e sorrir com todas as coisas boas que ela também nos dá."

 



publicado por Sheila às 01:43
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De libel a 21 de Agosto de 2009 às 18:45
Fizeste-me lembrar uma outra linda história. Aqui a deixo neste teu cantinho tão especial, onde me sinto tão bem e o qual me faz sempre recordar coisas boas. Espero que gostes!!..

Era uma vez uma flor deitada sobre uma mesa onde pousava um único objecto: uma jarra. Tantas vezes, a flor, que não tinha lugar naquela jarra, viu-a partir-se com o enorme esforço das flores que continha, quando se esgrimiam pela água que as fazia viver. A jarra partiu-se e, a outra flor, à medida que as quedas da jarra surgiam, ia conquistando o seu espaço na mesa. Tantas vezes tantas flores absorveram a água contida na jarra - aquilo que a fazia viver e às flores também. Mas as flores absorveram tudo. Limitaram-se a conquistar o seu espaço, usufruindo daquilo que a jarra tinha para lhes dar. Tudo isso acabou por ser a sua morte. Mas não a da jarra, porque a flor juntou todos os cacos e lá dentro foi parar. Não se sabe como, mas se realmente rastejou até ao seu lado para estar com ela no pior momento era porque realmente queria estar dentro dela. A jarra, com a pouca água que continha e depois de ter observado a flor tanto tempo fora de si, perguntou:

- Por que te esforçaste tanto para chegar até aqui? Já me resta pouca água. Acabaremos os dois por morrer.

- Como vês só me resta uma pétala e se lutei tanto para que me tenhas dentro de ti, prefiro continuar ao teu lado mesmo não estando nas melhores condições. Preciso da água para viver, a água que tu sustentas. Sou capaz de sofrer com a sede dos últimos dias da minha vida, porque o amor é como a água. O importante não é a sua quantidade mas sim o poder que ela tem em nos matar a sede. Portanto, vamos dividir a água até ao fim, gota a gota, da mesma forma que se constrói o amor, gota a gota, do princípio… sem fim.

Estou de volta mana, as férias ainda não acabaram, mas já dá para entrar e deixar os meus lamirés....
Beijokas e um dia feliz...


De Sheila a 21 de Agosto de 2009 às 19:12
Olá linda :)
E que grande regresso :) Com um texto excepcional e que eu gostei tanto.
Many thanks doce :)
E é uma grande verdade e uma grande lição de vida também. O amor é união, espirito de sacrificio e soma de emoções e sentimentos verdadeiros.
Aproveita bem as tuas férias querida. Vou agora buscar a minha Inês aos Avós lol
É bom já ser 6ªfeira LLOOLL
Beijo doce e até mais logo :)


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