Sexta-feira, 17 de Abril de 2009
Sobre pais, mães e filhos!

O Dr. Arun Gandhi, neto de Mahatma Gandhi e fundador do MK Institute, contou a seguinte história sobre a vida sem violência numa palestra proferida na Universidade de Porto Rico:
 
"Eu tinha 16 anos e vivia com os meus pais, na instituição que o meu avô tinha fundado, e que ficava a 18 milhas da cidade de Durban, na África do Sul.
 
Vivíamos no interior no meio dos canaviais, e não tínhamos vizinhos, por isso as minhas irmãs e eu sempre ficávamos entusiasmados com a possibilidade de ir até a cidade para visitar os amigos ou ir ao cinema.
 
Certo dia o meu pai pediu-me que o levasse até a cidade, onde participaria de uma conferência durante o dia todo. Eu fiquei radiante com esta oportunidade.
 
Como íamos até a cidade, a minha mãe deu-me uma lista de coisas que precisava do supermercado e, como passaríamos lá o dia todo, o meu pai pediu-me que tratasse de alguns assuntos pendentes, como levar o carro à oficina.
 
Quando me despedi do meu pai ele disse-me:  'Encontramo-nos aqui, às 17 horas, e voltaremos para casa juntos'.
 
Depois de cumprir todas as tarefas, fui até o cinema mais próximo. Distraí-me tanto com o filme (um filme duplo de John Wayne) que me esqueci da hora. Quando me dei conta eram 17h30. Corri até a oficina, peguei no carro e apressei-me a ir buscar meu pai!

Eram quase 18 horas.!
 
Ele perguntou-me ansioso: 'Porque chegaste tão tarde?' Eu sentia-me mal pelo ocorrido, e não tive coragem de dizer que tinha perdido a hora a ver um filme do John Wayne. Então, lhe disse que o carro não tinha ficado pronto, e que tivera que esperar.

O que eu não sabia era que ele já havia telefonado para a oficina.
 
Ao perceber que eu estava a mentir, disse-me:


'Algo não está certo no modo como te tenho educado, porque não tiveste a coragem de me dizer a verdade. Vou refletir sobre o que fiz de errado!. Caminharei as 18 milhas até nossa casa para pensar sobre isso'.
 
Assim, vestido com as suas melhores roupas e calçando sapatos elegantes, começou a caminhar para casa pela estrada de terra sem iluminação. Não pude deixá-lo sozinho...Guiei por 5 horas e meia atrás dele... Vendo o meu pai a sofrer por causa de uma mentira estúpida que eu havia dito. Decidi ali mesmo que nunca mais mentiria.
 
Muitas vezes me lembro deste episódio e penso: 'Se ele me tivesse castigado da maneira como nós castigamos os nossos filhos, será que teria aprendido a lição?'
 
Não, não creio. Teria sofrido o castigo e continuaria a fazer o mesmo. Mas esta acção não-violenta foi tão forte que ficou impressa na minha memória como se fosse ontem. 
 
Este é o poder da vida sem violência!
 



publicado por Sheila às 15:16
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10 comentários:
De Tudo SobreTudo a 17 de Abril de 2009 às 16:36
Olá!!
Bem... que exemplo!!
Digamos que este exemplo mostra bem como é educar sem violencia nem gritos!
O castigo pesicologico é bem mais forte e predura para a vida toda!
Beijinhos
TST


De Sheila a 17 de Abril de 2009 às 19:10
Olá Sara :)
E ser um exemplo bem real não deixa de nos tocar!
Sou anti-violência, mas confesso que berro imenso... e dou por mim a sentir neste momento que não deixa de ser uma violência psicológica... Por vezes faço um esforço mas há alturas de maior stress e quando dou por mim já o berro saiu! E fico chateada comigo própria. Há dias dificeis infelizmente. Quanto a castigos limito-me à televisão e ao magalhães... mas facilmente a Inês arranja formas de o ultrapassar lol
Beijinhos e votos de um bom fim de semana!
Sheila


De a 17 de Abril de 2009 às 16:37
Muito bom mesmo. Beijo


De Sheila a 17 de Abril de 2009 às 19:11
Olá :)
É verdade... não deixa mesmo de nos tocar e de nos fazer aprender imenso.
Beijinhos
Sheila


De 100timento a 17 de Abril de 2009 às 16:43
Bonita história esta que apresentas...tive a sorte de ter um pai que nunca exerceu qualquer castigo corporal nos filhos ,já ele teve essa sorte também mas...tantas vezes eu desejei ser espancado do que ver a expressão de dor no seu rosto quando fazia asneiras.
Beijinho amiga e um dia bom


De Sheila a 17 de Abril de 2009 às 19:22
Olá querido Amigo Rui :)
Também nunca senti castigos físicos dos meus pais, apenas umas palmadas certas na hora exacta... mas nem isso faço à minha filha... não tenho feitio para bater... sou mais de berrar ou de amuar (quantas vezes lhe digo... nos próximos 10 minutos não falo ctgo para pôr as minhas ideias no lugar!). Lembro-me de uma vez que lhe bati nas mãos porque fiquei mesmo chateada. Tinha ela uns 4 anitos (ou menos, já não sei precisar) e estava a fazer-lhe um pão com manteiga... quando lhe dou o pãozito para a mão, ela abre o pão, e manda vir comigo que queria tulicreme e não manteiga, e não contente, atira com o pão para o chão! Fiquei piursa e apanhou de imediato nas mãos (e eu sei que a aleijei)... seguiu-se o meu berro a dizer-lhe que ela que não voltasse a fazer aquilo porque havia meninos que não tinham o que comer! Nunca passei fome mas para mim estragar comida é uma afronta e fiquei passada! Hoje e olhando para trás... não deixa de ser violência, afinal é uma criança que não tinha noção do seu próprio acto... e eu como adulta devia ter tido mais calma. Ainda hoje ela se lembra bem disso!
Xii fartei-me de escrever lol
Beijo muito grande e votos de um excelente fim de semana!
Sheila


De MIGUXA a 17 de Abril de 2009 às 18:53
Sheila,

Bela lição de vida.

A violência física nunca a senti e acho que não iria lidar bem com ela, tal como nunca consegui lidar com a psicológica que me marcou duramente...Felizmente, consegui ultrapassá-la no bom sentido.

Sabes miga, gosto de ti...porque gosto

Jokinhas
Margarida


De Sheila a 17 de Abril de 2009 às 19:28
Olá Minha Doce Margarida :)
Acho que ninguém consegue lidar bem com qualquer tipo de violência, seja ela esporádica ou frequente. Se é frequente pode deixar marcas incalculáveis, acho que as próprias vitimas nem saberam avaliar a 100%. Ainda bem que conseguiste ultrapassar esses maus momentos da tua vida, nem todos o conseguem e quantas vezes se vê pais a fazerem aos filhos o que os seus proprios pais lhes fizeram! Algo que não consigo compreender!
Também gosto muito de ti... como já te disse há às vezes afinidades muito rápidas e que não se explicam, sentem-se!
Beijo muito grande e diverte-te muito no fim de semana!
Sheila


De Just Moments a 18 de Abril de 2009 às 01:02
Olá querida amiga!

..que bela lição de vida!!
felizmente nunca experimentei a violência física..mas confesso que tive de aprender a lidar com ela por outros motivos..felizmente passou, e com muito amor e uns castigos(género hoje não há Tv, ou não sais do teu quarto..resultam bem)..eu fiquei em casa com elas muito tempo e penso que isso foi fundamental para elas..
e quantos pais não exercem essa violência por pura frustração deles mesmos?

Beijinhos com carinho


De Sheila a 18 de Abril de 2009 às 01:51
Olá Linda :)
Sem dúvida que é uma grande lição!
Eu sou-te sincera não consigo mesmo compreender como é que há pais que precisamente por frustração exercem sobre os filhos algo que eles próprios experimentaram e sofreram. Não me entra e não aceito! Eu por natureza sou demasiado espontânea e reactiva... acho que por vezes reajo aqueles disparates da minha Inês por andar mais cansada, ou a precisar de tempo para mim... mas o facto de ser mãe trouxe-me a preocupação de formar bem a minha filha... por vezes posso exigir muito dela... mas sei que um dia ela saberá reconhecer! Andei mais de um ano, tinha ela uns 3 anitos... sempre a chatea-la com o dizer obrigado... por favor... desculpa, com licença... posso sair da mesa, etc etc etc... e hoje tem isso tão enraizado... acreditas que há pessoas que ficam muito admiradas com isto e por ela ser educada! Que eu é que fico admirada por muita gente ficar admirada... quando para mim isto é a base de muita coisa! Há coisas que não dá para entender mesmo!
Beijo enorme para ti minha querida e uma noite muito doce... e aquele sorriso (sim? ) que já é fdsemana... iuupiii
Sheila


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