Sexta-feira, 27 de Março de 2009
Pânico... Aflição e Remorso...

Acabei de chegar do almoço. Parei na tabacaria habitual para comprar tabaco para o fim de semana e não pude deixar de reparar nos destaques das revistas... quase todas orientadas ainda para o trágico desaparecimento do pequeno Diogo, de 4 anos, sobrinho do mediático jogador Simão Sabrosa. Inevitavelmente vou acompanhado o assunto, já li a mesma história contada de diversas formas e algumas apontam para a falta de cuidado ou de demasiada tranquilidade demonstradas naquela tarde soalheira de Março. Mas enfim escrevo estas linhas, não para me focar ou apontar ou apurar a culpa... porque não vale a pena... o azar e o infortúnio bateu à porta de mais uma familia, como infelizmente acontece diariamente a tantas outras mas esta mereceu outro destaque e mesmo sem termos voto na matéria somos impelidos a acompanhar o seu desenvolvimento. Alguém ouviu mais alguma coisa do caso do bébé que morreu esquecido numa viatura em Aveiro?

Infelizmente tive um episódio na minha vida pessoal que queria partilhar e mostrar que às vezes não é por sermos irresponsáveis ou demasiado tranquilos ou permissivos que evitamos cometer erros...  infortúnios irremediáveis!

Sempre que o tempo permite gosto de estender a minha tarde, após o trabalho, e aproveitar os últimos raios de sol numa esplanada. No ano passado cumpri este percurso religiosamente... ia buscar a Inês à escola por volta das 18h e lá iamos nós para o Parque Verde aqui em Coimbra. Ela ia para o parque infantil e eu ficava a vê-la da esplanada mesmo ao lado do parque. Num desses finais de tarde, encontrei-me lá com a Madrinha da Inês... já muito perto do final da tarde a Inês vem ter connosco à esplanada acompanhada de uma menina e da sua respectiva mamã!. Pediu-me se podia ir a correr até ali ao fundo... (aliás deixem-me situar-vos: temos uma esplanada, em frente desta temos o parque infantil e uns 10 metros depois do parque um urso gigante... e uns 20 metros para trás do urso está a ponte pedonal que liga as duas margens do rio... o nosso angulo de visão é por isso frontal até aqui... ficamos sem visibilidade a partir da ponde pedonal que se estende para a frente 100 metros até ao Pavilhão de Portugal, o último edíficio que se destaca deste parque, também conhecido como o espaço das "docas" )... é mais ou menos isto:

.... assumi que o ir até ali ao fundo fosse até ao urso, dar a volta a este e regressar... até porque lhe tinha dito que tinhamos que ir embora. A mãe da menina disse-me que iria a correr com elas... eu assenti com a cabeça e lá partiram felizes pelo percurso traçado.

Como mãe atenta que sou... vi a Inês a correr... por momentos perdi-a do meu radar de visão, dado ter passado por trás do  Urso... dei mais ao menos aqueles segundos e aguardei o regresso... não passaram mais que 2 minutos e dou o alerta à Madrinha da Inês que já tinham tido tempo de dar a volta para trás... Ficámos ali uns segundos a pensar que possivelmente tinham ido mesmo até junto da entrada da ponte pedonal e dai a demora no regresso pelo qual os nossos olhos tanto ansiavam... Nada! 

Por impulso levantei-me, preocupada mas ainda com alguma calma e comecei a andar na direcção que elas tinham seguido... passei o parque infantil, passei o urso, passei a ponte pedonal, olhei em frente e apercebi-me que não via a minha filha, aliás não se via viv'alma! Fiquei aflita! Entrei em pânico... só pensava está ali mesmo a entrada para o parque de estacionamento... já a meteram num carro...  perdi a minha filha.... e pior é que eu permiti.... que tinha acabdo de consentir que tal me estivesse acontecer! Quanto mais andava, mais aflita e impotente me sentia... cheguei a pensar que mal conseguia identificar aquela mulher, aquela outra criança... apenas na memória tinha o facto da menina usar uma t-shirt da Assoc. Acreditar... nada mais! A Madrinha da Inês a meu pedido voltou para trás, podia-se ter dado algum desencontro e seria importante que alguém permanecesse na esplanada. Andei muitos e muitos metros como louca, com o coração em pânico, nem sei neste momento descrever o que senti naqueles minutos... acho que os piores minutos de toda a minha vida! Respirei de alivio quando ao longe vejo 2 crianças a brincar com uma senhora... não foi preciso muito para reconhecer a minha filha. Na altura não demonstrei áquela mulher o pânico em que segundos antes tinha tomado o meu corpo, a minha cabeça, o meu coração, mas apenas umas semanas depois. Hoje encontramo-nos regularmente, jantamos quase todas as semanas juntos, partilhamos momentos mágicos nos nossos lares.... mas tudo poderia ter sido tão diferente! Meu Deus como neste momento podia fazer parte de mais uma familia destroçada... não quero nem imaginar!

Isto para vos dizer que não sou uma pessoa irresponsável, ou pouco atenta ou demasiado relaxada... mas por fracções de segundos não medi qualquer consequência, não vi mal algum em ter dado o OK GO à minha filha... ainda hoje sinto um misto de remorso, de raiva pelo meu acto irreflectido e impotência no sentido de não ter calculado esse risco! No risco em que insensatamente coloquei a vida da minha filha!

Olhando para trás posso hoje esboçar um sorriso de tranquilidade. Agradecer ao meu anjinho da guarda e tirar deste triste episódio uma grande lição de vida!



publicado por Sheila às 15:08
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12 comentários:
De Tudo SobreTudo a 27 de Março de 2009 às 17:54
Olá!
Obrigada por partilhares esses momentos... devem sem duvida terem sido desesperantes!
Como mãe também sou muito cuidadosa nesse aspecto! Mas deixa-me que te dê a minha opinião: Esses casos não são, de todo, irresponsabilidade! São sim azares de segundos!!!! São imprevistos que por muito que estejamos com os olhos em cima... podem acontecer!
TST


De Sheila a 29 de Março de 2009 às 00:14
Olá Linda,
Não é fácil recordar estes momentos mas continuo achar que fui muito mais insensata que irresponsável, até porque em segundo nenhum tirei os olhos de cima da minha filha. Mas é a errar que muitas vezes aprendemos lições importantes. Arrisco-me a dizer que às vezes a vida é sabia pelos desafios que nos coloca diariamente!
Beijinho grande e obrigado pelas tuas palavras amigas.


De azuldoceu a 27 de Março de 2009 às 18:28
Mas que valente susto!
Como se costuma dizer há horas do diabo.
E por muito cautelosas que as pessoas sejam, há sempre uma fracção de segundo que pode atraiçoar...
Relativamente ao caso do bébé que ficou esquecido no carro, só tenho a dizer que ninguem pode julgar aquele pai. Um pai que sofre e sofrerá para o resto da vida e que irá ficar com marcas para sempre.
Há rotinas que temos diariamente de uma forma quase mecânica. Há assuntos que nos preenchem demasiado a cabeça. Há demasiada pressão e precupação a nivel profissional. E tudo isto e sabe Deus mais o quê, contribuiram para aquele pai se esquecer do filho. À primeira vista parece algo impensável... mas infelizmente não é.
Li um dia destes na 1ª pagina de um jornal, que a mulher deste homem não o abandonou.
E agora pergunto eu... e porque haveria de o fazer?
Um casal que se ama, está junto para o bem e para o mal. E mais do que nunca precisam do apoio um do outro.
Poderemos julgar sim, aqueles que matam e maltratam de proposito. Nestes casos assim, só poderemos pensar, que pode acontecer a qualquer um de nós...
Beijocas e um bom fim de semana


De Sheila a 29 de Março de 2009 às 00:25
Acho que foi pior que susto! Foram minutos de aflição, pânico e impotência elevados ao maior expoente! No caso do bebé de Aveiro nem vejo como é possível a imputação de homicídio negligente aquele pai! Ele viverá com essa culpa o resto da sua vida! Fico feliz por saber que a esposa não o abandonou, por acaso tinha informação do contrário. Já viste que até mesmo ela pode estar hoje a martirizar-se por pensar que se tivesse seguido a sua rotina normal teria evitado esta tragédia! Não consigo imaginar a dor por que estão a passar.
Beijinho e obrigado pelo teu comentário.
Bom Domingo para ti


De cuidandodemim a 28 de Março de 2009 às 10:33
O que te aconteceu provavelmente já aconteceu a quase todas as mães... Ninguém é perfeito ao ponto de nunca ter tudo um susto com um filho. São coisas que acontecem. O que importa é que ficaste prevenida para qualquer eventualidade que ocorra mais tarde. Estas coisas servem para aprendermos. Felizmente foi só o susto.
Outras pessoas já não têm tanta sorte e, por um golpe do destino perderam os seus filhos. Há que dar muito apoio psicológico a esses pais, pois alguns têm outros filhos que precisam igualmente ser cuidados e ter os seus pais presentes e sem culpas e mágoas.
Bjns


De Sheila a 29 de Março de 2009 às 00:32
Felizmente as coisas correram bem e acredita que aprendi muito com esse episódio. E além de ter corrido bem tive o privilégio de conhecer um casal espectacular com quem tenho partilhados óptimos momentos. Muitas vezes se diz que nada acontece por acaso... quero crer que foi o caso mesmo!
Noutros casos e em que o desfecho foi trágico acredita que é uma bênção ter outros filhos, pelo menos a perda talvez seja sentida e vivida de outra forma, não sei, mas pelo menos existe um irmão, um outro filho que mantém os pais vivos para continuar a caminhada pela vida.
Beijinhos grande e um Domingo com muito


De Sugar a 28 de Março de 2009 às 10:56
Estes são daqueles episódios de vida que ficam-nos marcados para sempre, mas não pela negativa, com eles aprendemos grande lições e da próxima vez já não agimos na mesma maneira. Também não acho que tenha sido irresponsabilidade da parte dos pais ( em relação ás noticias que se tem ouvido e lido), até eu com 16 anos numa tarde de praia, tinha-me aproximado da água ( é uma das coisas que eu mais gosto na vida *-*), tinha lá ficado e essa onda podia-me ter levado. Se eu com 16 anos não tinha medido o perigo muito menos alguém mais novo o mede, e os acidente acontecem.
A única coisa que eu acho mal neste história toda é mesmo o facto do alarido que a imprensa faz com esta história, pois se fosse um sobrinho de uma pessoa normal já estava mais que esquecido aos olhos do país, mas como é sobrinho do Simão a história vai durar e durar ( mesmo com os pais a querer recuperar da dor de perder um filho).
Era de coisas como esta que eu me referia, quando digo que não sigo o sonho de ir para comunicação social.

Grande beijo

Ps : ainda bem que tudo correu bem nessa tarde com a sua filha e obrigado por ter partilhado.


De Sheila a 29 de Março de 2009 às 00:43
Se a mim me custa ler a noticia ou fico chocada por ser capa de revista na maior parte das revistas imagino o que não agravará a situação trágica daqueles pais. No entanto acho que não deves deixar de seguir o teu sonho! O Jornalismo pode assumir outro tipo de vertentes bem mais interessante que a vida cor-de-rosa das pessoas conhecidas. Tenho uma amiga que é jornalista e que está ligada a eventos desportivos. Linda, acredita numa coisa e estás a tempo disso... se é jornalismo que queres seguir não desistas... um dia olhas para trás e depois não há tempo para conseguires recuperar. Eu segui gestão... não é que me arrependa atenção, mas quando olho para trás arrependo-me de não ter seguido o que verdadeiramente gostava que era ter seguido Desporto. Apenas não o fiz porque odiava Biologia... era das disciplinas que mais abominava e que estudava com bastante sacrifício ... hoje penso que podia ter feito esse esforço! No meu caso pessoal e voltando ao episódio que relatei... as coisas tiveram um desfecho feliz e são hoje motivo de risada... dado que apelidei essa minha amiga de "pseudo-raptora" e quando lhe chamo isso ela parte-se a rir!
Grande Beijo para ti
PS: grrr também queria estar já de férias :P


De azuldoceu a 28 de Março de 2009 às 22:02
Olá!
Tens um desafio no meu cantinho...
Beijocas


De Sheila a 29 de Março de 2009 às 00:44
:) muito obrigado por te lembrares de mim
Irei lá já de seguida quando fechar aqui a parte dos comentários :)
Beijinhos


De Sorrisoduplo a 30 de Março de 2009 às 08:20
Quem tem filhos sabe bem como são estes momentos… de uma forma ou outra já todos tivemos um susto deste género, temos que estar sempre muito atentos porque quem anda por aí a querer fazer mal tem maneiras diabólicas de o fazer… mas é tão difícil controlar todas as decisões. Não te culpes… ninguém está livre.
Quando aconteceu o caso do bebe de 9 meses que morreu no carro esquecido pelo pai eu pensei – Meu Deus, como é possível esquecer um filho…
Quem sou eu para julgar mas por muito que leia sobre este assunto e por muito que ouça que pode acontecer a qualquer um ainda não compreendo… podem dizer o que quiserem de mim mas eu continuo a pensar como se esquece um bebe que ainda por cima (segundo li) ia no banco da frente… mesmo ao lado do pai… desculpem mas não entendo. Penso que era a primeira vez que o pai tinha esta tarefa (ou pelo menos era raro), não seria caso para ir mais atento… Não sou uma melhor mãe do que as outras nem tenho essa pretensão, mas também tenho um trabalho stressante, tenho uma vida que é uma autentica correria mas os meus filhos são a minha maior prioridade e são eles que estão sempre no meu pensamento em 1º lugar…
Tenho muita pena deste pai e desta família e acho que ele já tem um castigo suficiente para o resto da vida dele (se vida é o que se pode chamar àquilo que ele vai ter daqui para a frente).
Esta é a minha opinião e por mais que tente não consigo ter outra.

Beijinho


De Sheila a 31 de Março de 2009 às 23:26
Eu hoje vejo as coisas sem culpa... mas naqueles minutos de pânico senti-me muito culpada sim.
Também não consigo imaginar esquecer-me da minha filha... é algo que me custa a crer como é possível de acontecer. Sabes, não imagino como será a "vida" desta família daqui para a frente. Infelizmente é numa situação destas que consigo imaginar ou aceitar que alguém se venha a suicidar.
De facto há coisas que acontecem e não consigo arranjar uma explicação lógica para ter acontecido.
Beijinhos grandes


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