Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009
O Relógio

 

“O colégio onde eu estudava, em menina, costumava encerrar o ano lectivo com um espectáculo teatral. Eu adorava aquilo, porém nunca fora convidada para participar, o que me trazia uma secreta mágoa.

Quando fiz onze anos avisaram-me que, finalmente, ia ter um papel para representar. Fiquei felicíssima, mas esse estado de espírito durou pouco: escolheram uma colega minha para o desempenho principal. A mim coube uma personagem, de pouca importância.

A minha decepção foi imensa. Voltei para casa em pranto. A minha Mãe quis saber o que se passava e ouviu toda a minha história, entre lágrimas e soluços. Sem nada dizer ela foi buscar o bonito relógio de bolso do meu pai e colocou-o nas minhas mãos, e perguntou-me:

- O que é que vês aqui?

- Um relógio de ouro, com mostrador e ponteiros.

Em seguida, ela abriu a parte traseira do relógio e repetiu a pergunta:

- E agora, o que estás a ver?

- Oh mãe, aí dentro parece haver centenas de rodinhas e parafusos.

A minha mãe surpreendia-me, porque aquilo nada tinha a ver com o motivo do meu aborrecimento. Entretanto, calmamente ela prosseguiu:

- Este relógio, tão necessário ao teu pai e tão bonito, seria absolutamente inútil se nele faltasse qualquer parte, mesmo a mais insignificante das rodinhas ou o menor dos parafusos.

Nós nos entrefitamos e, no seu olhar calmo e amoroso, eu compreendi sem que ela precisasse dizer mais nada.

Essa pequena lição tem me ajudado muito a ser mais feliz na vida. Aprendi, com a máquina daquele relógio, quão essenciais são mesmo os deveres mais ingratos e difíceis, que nos cabem a todos. Não importa que sejamos o mais ínfimo parafuso ou a mais ignorada rodinha, desde que o trabalho, em conjunto, seja para o bem de todos.

E percebi, também, que se o esforço tiver êxito o que menos importa são os aplausos exteriores. O que vale mesmo é a paz de espírito do dever cumprido..."

 Um dos maiores alentos que sinto na minha vida é precisamente esta paz de espírito de dever cumprido, de que dei o máximo de mim no que é importante para o meu bem estar e felicidade interior.

O valor de um perfume não se revela apenas na essência da sua fragrância, mas também na substância que o fixa no nosso corpo. De nada adianta usarmos um perfume agradável, mas que se evapora logo após sentirmos o seu aroma ou um perfume que não ligue com a nossa pele.

Os instantes da certeza do nosso valor são perfumes que só conseguem permanecer na nossa vida quando aprendemos a fixá-los com a substância do esforço e do valor que cada um dá a si próprio.

Desejo uma Semana Feliz 



publicado por Sheila às 23:27
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Terça-feira, 5 de Maio de 2009
SER POBRE...

 

 

 

Um pai, bem na vida, quis que o seu filho soubesse o que era ser pobre, e levou-o para passar uns dias com uma família de camponeses. O menino passou 3 dias e 3 noites a viver no campo.

No carro, e de volta à cidade, o pai perguntou-lhe:

Como foi a tua experiência?

- Foi boa, responde o filho, com o olhar perdido à distância.

E o que é que aprendeste? Insistiu o pai.

O filho respondeu:

1 - Que nós temos um cão e eles tem quatro...

2 - Que nós temos uma piscina com água tratada, que chega até metade do nosso terreno. Eles têm um rio sem fim, de água cristalina, onde têm peixinhos e outras belezas.

3 - Que nós temos candeeiros para iluminar o nosso jardim, enquanto que eles tem as estrelas e a lua para iluminá-los.

4 - Que o nosso terreno chega até o muro. O deles chega até o horizonte.

5 - Que nós compramos a nossa comida, e eles cozinham.

6 - Que nós ouvimos CD's... Eles ouvem uma perpétua sinfonia de pássaros, periquitos, sapos, grilos e outros animais... e muitas vezes acompanhada pelo sonoro canto de um vizinho que trabalha na sua terra.

7 - Que nós usamos microondas. Tudo o que eles comem tem o glorioso sabor do fogão à lenha.

8 - Que para nos protegermos vivemos rodeados por um muro, com alarmes... Eles vivem com as suas portas abertas, protegidos pela amizade dos seus vizinhos.

9 - Que nós não vivemos sem telemóveis, sem computador e sem televisão... e que eles vivem intensamente a vida, ligados ao céu, ao sol, à água, ao verde do campo, aos animais, às suas sombras, à sua família.

O pai ficou impressionado com a profundidade do seu filho e então o filho terminou:

 

- Obrigado, pai! por me teres ensinado o quanto somos pobres!

 

 

Cada dia grande parte da humanidade está mais pobre de espírito e de observação da natureza, que são as grandes obras de Deus.

 

Cada vez mais há uma constante preocupação em TER, TER, TER, E CADA VEZ MAIS TER, em vez de existir a preocupação em SER: SER cada vez mais, SER cada vez melhor,  SER verdadeiro, SER livre, SER completo...

 



publicado por Sheila às 12:10
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Terça-feira, 28 de Abril de 2009
O valor do nosso valor!

 

 

Um aluno chegou ao seu professor com um problema:

- Venho aqui, professor, porque me sinto tão pouca coisa, que não tenho forças para fazer nada.

Dizem que não sirvo para nada, que não faço nada bem, que sou lerdo e muito idiota.

Como posso melhorar?

O que posso fazer para que me valorizem mais?

O professor sem olhá-lo, disse-lhe:

- Sinto muito meu jovem, mas agora não posso ajudar-te, devo primeiro resolver o meu próprio problema. Talvez depois. E fazendo uma pausa falou:

- Se me ajudares, eu posso resolver o meu problema com mais

rapidez e depois talvez te possa ajudar a resolver o teu.

- Claro, professor, gaguejou o jovem, sentindo-se outra vez desvalorizado

O professor tirou um anel que usava no dedo pequeno, deu ao aluno e disse:

 

- Vai até o mercado. Deves vender este anel porque tenho que pagar uma dívida.

É preciso que obtenhas pelo anel o máximo possível, mas não aceites menos que uma moeda de ouro. Vai e volta o mais rápido possível.

O jovem pegou no anel e partiu. 

Mal chegou ao mercado começou a oferecer o anel aos mercadores.

Eles olhavam com algum interesse, até ao momento em que ele dizia o quanto pretendia pelo anel.

Quando o jovem mencionava uma moeda de ouro, alguns riam, outros saiam sem ao menos olhar para ele, mas só um velhinho foi amável ao ponto de explicar que uma moeda de ouro era muito valiosa para comprar um anel.

Tentando ajudar o jovem, chegaram a oferecer uma moeda de prata e uma peça de cobre, mas o jovem seguia as instruções de não aceitar menos que uma moeda de ouro e recusava as ofertas.

 

Depois de oferecer a jóia a todos que passavam pelo mercado e abatido pelo fracasso, decidiu regressar. O jovem desejou ter uma moeda de ouro para que ele mesmo pudesse comprar o anel, assim livrando a preocupação do seu professor e assim podendo receber a sua ajuda e conselhos.

Entrou na casa e disse: 

- Professor, sinto muito, mas é impossível conseguir o que me pediu. Talvez pudesse conseguir 2 ou 3 moedas de prata, mas não acho que se possa enganar ninguém sobre o valor do anel.

Importante o que me disse meu jovem, contestou sorridente. Devemos saber primeiro o valor do anel. E disse-lhe : -Vais agora até ao joalheiro. Quem melhor para saber o valor exacto do anel? Diz-lhe que queres vender o anel e pergunta quanto ele te dá por ele. Mas não importa o quanto ele te ofereça, não o vendas. Regressa com o meu anel!

 

O jovem foi até ao joalheiro e deu-lhe o anel para examinar. O joalheiro examinou o anel com uma lupa, pesou o anel e disse:

- Diga ao seu professor que, se ele quer vender agora, não posso dar mais que 58 moedas de ouro pelo anel.

- 58 MOEDAS DE OURO! Exclamou o jovem.

- Sim, replicou o joalheiro, eu sei que com tempo eu poderia oferecer cerca de 70 moedas, mas se a venda é urgente...

O jovem correu emocionado a casa do professor para contar o que tinha acontecido.

- Senta-te, disse-lhe o professor e depois de ouvir tudo que o jovem contou, disse-lhe:

- Tu és como esse anel, uma jóia valiosa e única, que só pode ser avaliada por um especialista. Pensavas que qualquer um podia descobrir o teu verdadeiro valor?

E dizendo isto voltou a colocar o anel no dedo.

 

Todos nós somos como esta jóia. Valiosos e únicos e andamos por todos os mercados da vida pretendendo que pessoas inexperientes nos valorizem.

 

Repensem o vosso valor!

 



publicado por Sheila às 11:05
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