Sábado, 19 de Setembro de 2009
O Principe das Estrelas

 

Num tempo remoto, num reino distante, nasceu um homem que, desde pequeno, sonhava possuir algo de muito valor na vida.

Na sua infância deitava-se à sombra das árvores, imaginando... O anil dos olhos mirando o azul do céu, passava horas a fio a idealizar poder e riqueza. Mais que isso, ambicionava conquistar aquilo que de mais grandioso sabia: a natureza em todo seu esplendor...

A sua vida era planear o futuro. Um futuro brilhante.

Perdido em devaneios, carecia de tempo para notar as pessoas à sua volta. Assim foi que passou-lhe despercebida uma menina que, tinha por hábito espreita-lo, e silenciosamente, o observava com admiração...

Facto era ser belo este nosso jovem, e inteligente, e forte, e ambicioso. Primaveras e Invernos passaram velozes e ele cresceu. Muito e muito lutou pela sua prosperidade e poder... E, de todos, é sabido que se transformou de facto, não só no mais rico, como também no mais poderoso e invejado príncipe de todos os tempos, de todos os reinos. As suas façanhas alcançaram os sete cantos da Terra.

Tomou para si coisas nunca dantes conquistadas. Numa caixinha de ouro aprisionou o mais suave canto dos pássaros. Com cuidado guardou no baú o fino orvalho da madrugada. Num recipiente de madeira acalentou um subtil raio de Sol. Arquivou as rebuscadas palavras e os sinceros sentimentos dos poetas. Numa das luxuosas salas do seu castelo armazenou as mais belas melodias de líricos menestréis. E, o mais assombroso, conseguiu aprisionar o lume das estrelas numa caixa de cristal.

É bem verdade que o soberano passou anos felizes no seu castelo, alimentando-se de sua glória e fulgor...

Assim foi até que um dia instalou-se um enorme vazio no peito. Tinha poder e riqueza, honrarias e fama. Tudo com o que sonhara... ou quase tudo... Mas faltava-lhe algo inefável... Sim, uma presença companheira, alguém com quem pudesse compartilhar o sucesso.

Certa vez, o principe passeava-se pelos seus imensos pomares... deitou-se melancólico à sombra de uma das árvores, para o límpido do céu apreciar. Recordou a época em que era apenas um menino e almejava obter tudo aquilo que agora lhe era real... Subitamente pressentiu alguém espreitando-o, admirando-o, talvez... Olhou para os lados, vasculhou, mas nada viu. Era somente a vaga lembrança de uma menina travessa que se fazia presente. Teve o ímpeto de gritar o seu nome - qual mesmo seria ele? - e com ela conversar. Dizer das suas lutas e temores, mágoas e realizações...

Entretanto de nada adiantaria gritar. A sua ténue memória conseguia trazer de volta apenas a expressão dos olhos cor de mel daquela criatura longínqua. Foi aí que percebeu, com tristeza, que nem mesmo o tremeluzir das estrelas na sua caixa de cristal era tão enigmático, atraente e belo. Com amargura descobriu que seria o brilho daquele olhar o seu maior e mais valioso tesouro... O único que, em tempo algum, preocupou-se em conquistar. Aquele que jamais haveria de ter.

Ainda hoje, contam a história do príncipe das estrelas, como era conhecido este nosso personagem. A sabedoria popular acrescenta que, ao fazermos planos para o futuro, devemos cuidar para que neles não falte o lume dos olhos de alguém ao nosso lado. A trágica consequência deste esquecimento seria, sem dúvida, o maior de todos os sofrimentos: a solidão.

 

A Solidão é um daqueles lugares para visitar uma vez ou outra, mas muito mau de adoptar como morada. “Valorizar o que queremos perder, é Indecoroso. Valorizar o que perder não queremos, é Dignidade. Desvalorizar o que valor não tem, é Sensatez. Há que acatar tudo com decoro e sensatez porque a Vida é cheia de Horizontes e até o Sol os cruza, um de cada vez.”

 



publicado por Sheila às 02:37
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Sexta-feira, 18 de Setembro de 2009
A Lenda da Chuva

 

 

Há muitos anos, os anjinhos resolveram fazer uma festa no céu.

Os convidados de honra seriam todas as criançs que tratassem com respeito as pessoas idosas e também os animais que fossem amigos do homem.

Na véspera da festa, o rebuliço era grande lá na casa dos anjinhos. Os mais novos, com escadinhas feitas de nuvens, davam brilho nas estrelinhas empoeiradas.

Séfaro, um anjo alto e forte, lavava com uma mangueira de borracha a cara redonda e prateada da Lua.

Os outros usavam vassourinhas, escovas e muita água, para deixarem o chão do céu bem limpinho.

Mas sabem o que aconteceu?

Lançaram tanta água, mas tanta água naquele salão, que milhares de gotinhas começaram a cair sobre a Terra... Era a primeira vez que se podia ver a chuva.

E como as pessoas aqui da Terra gostaram da novidade, todas as vezes que há festa no céu e os anjinhos fazem a limpeza no chão, chove deliciosamente sobre a Terra.

CHUVA NA TERRA É FESTA NO CÉU!

 

 E hoje, como aqui por Coimbra, recebemos a visita da chuva... tem sido dia de grande festa no Céu . A vida é feita de dias de chuva e dias de sol, cada um tem o seu motivo para existir. Os dias de sol tornam a vida mais bela, mas os dias de chuva trazem o necessário para a vida crescer.

 

Excelente fim de Semana!

 



publicado por Sheila às 15:01
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Terça-feira, 15 de Setembro de 2009
A Deusa do Sal

 

Conta uma lenda que numa ilha longínqua vivia uma solitária deusa de sal.

Ela era apaixonada pelo mar.

Passava dias, noites, horas na praia observando o balanço das suas ondas, a sua beleza, o seu mistério e a sua magnitude.

Um desejo enorme começou a apossar-se do seu coração: experimentar toda aquela beleza.

Esse desejo ia aumentando até que um dia a deusa resolveu entrar no mar.

Logo que ela colocou os pés no mar, eles sumiram, derreteram-se. Encantada com o mar, ela seguiu em frente e logo após as suas pernas e coxas não mais existiam.

A deusa, entretanto, seguiu adiante, sentindo partes do seu corpo a derreterem-se, até ficar apenas com o rosto do lado de fora.

Uma estrela que observava tudo disse:

- Linda deusa, vais desaparecer por completo. Daqui a pouco não mais existirás.

A água do mar desfazia o rosto da deusa, mas ela respondeu fazendo um esforço:

- Continuarei existindo, porque agora eu sou o mar também.

 

Para conhecer e experimentar é preciso permitir-se, ir em frente. Quando isto acontece, permitimos que a mudança seja possível nas nossas vidas.

A deusa mudou, transformando-se em mar, fazendo parte dele, passou a ser o mar que ela tanto admirava da praia. O mar por sua vez, também se transformou, porque foi salgado pela deusa. Ambos experimentaram a mudança: a deusa e o mar.

  



publicado por Sheila às 14:04
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