Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009
Perdoar vs Esquecer...

 

Será possível perdoar e esquecer ou simplesmente perdoamos mas não nos esquecemos?

E quantas vezes queremos esquecer mas isso torna-se tão dificil e por isso não conseguimos sequer perdoar?

 

Perdoar é um acto assumido e consciente. Esquecer não é um acto que empreendemos, mas uma aprendizagem que gradualmente vamos deixando o coração alcançar. Esquecer depende de nós, não é algo afirmado, tem de ser sentido e acreditado e leva o seu tempo. Chegamos à conclusão que perdoamos quando conseguimos esquecer o que nos magoou, quando sentimos apagadas as marcas deixadas. Perdoar pode verbalizar o esquecer. Perdoar alguém é sossegar essa pessoa como que a dizer-lhe que já esquecemos, independentemente de o termos conseguido ou não, e independentemente de querermos esquecer ou não. Quantas vezes até perdoamos com o sentido convicto que isso será a via mais fácil para esquecermos e perdoamos convictos que acreditamos que de facto já esquecemos o que aconteceu. Mas nem sempre é assim e quantas vezes queremos perdoar mas a impotência de não conseguirmos esquecer o que nos magoa e desilude é mais forte que o nosso desejo!

No fundo todos temos a capacidade de perdoar, mas com a mesma intensidade temos a incapacidade de esquecer. Mas perdoar pode também ser o primeiro passo para esquecer, precisamente porque significa que tomamos consciência que queremos de facto esquecer, seguir em frente e tentar recuperar tempo perdido com mágoa, tristeza ou desilusão.

 

Há ainda mais dois tipos de situações: É bom perdoar sem esquecer! Por mais que queiramos perdoar para evitar conflitos sem sentido é necessário não querermos esquecer tudo o que aconteceu para que o aviso fique marcado em nós e não voltemos a passar pela mesma situação no futuro. Neste caso não se esquece mas desvaloriza-se o que nos magoou.

 

E há também a situação de querer esquecer sem perdoar. Por vezes as pessoas a quem poderíamos perdoar não nos merecem essa atenção, e queremos simplesmente esquecer o que aconteceu porque também as marcas que poderiam ficar deixam assim de ter significado para nós. Neste caso passa a imperar o afastamento e toda uma rotina se altera nesse mesmo sentido.

 

Em suma, acho que esquecer é geralmente mais difícil do que perdoar, porque leva mais tempo e depende sobretudo dos nossos sentimentos e da nossa capacidade de ultrapassar e conseguir sarar as feridas que determinado acontecimento provocou em nós. Não tenho dúvidas que o primeiro passo será querermos perdoar, querermos retomar algo que nos é devolvido com esse perdão. É preferível empreender o nosso esforço em esquecer o que nos magoou do que deixar prevalecer em nós a memória de determinado acontecimento que nos feriu e desiludiu. Um passo importante (e que poderá dar um outro post de divagação) é o acto de conseguir-se perdoar a si próprio também. E todo o processo de “perdão” iniciar-se-á a partir desta capacidade pessoal.

 

 



publicado por Sheila às 18:01
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12 comentários:
De cuidandodemim a 18 de Novembro de 2009 às 18:23
Eu penso que primeiro temos de conseguir perdoar para depois conseguir esquecer. E penso também que devemos perdoar por nós próprios principalmente, mais do que pela outra pessoa, para que não fiquemos com aquela dor e aquele peso no nosso coração, que só nos fará sentir pior. Quem perdoa liberta-se, purifica-se. Só depois, com o tempo e despreocupadamente, poderemos um dia, quem sabe, esquecer...
Bjns


De Sheila a 27 de Novembro de 2009 às 01:13
Concordo ctgo e quem perdoa liberta-se e é sempre dificil e moroso conseguirmos esquecer as desilusões dos outros. Mas a vida é curta demais para zangas e há situações que valem o esforço de querermos perdoar e o esforço de nos obrigarmos a esquecer algumas coisas que a determinada altura nos magoaram e desiludiram.
Muitos Beijinhos


De Marta M a 18 de Novembro de 2009 às 18:33
Katy :
Gosto sempre de voltar por aqui. Encontro sempre estas tuas reflexões e esta forma tão positiva que tens de encarar a vida.
E, já que falas em "perdão" eu digo-te a palavra contrária: reconhecimento. A ti.
Porquê? Porque tu foste a primeira pessoa (agora amiga) que comentou o meu blog. Não o esqueço. ;)
O perdão verdadeiro é difícil, muito difícil mesmo. Às vezes tenho a sensação que nunca o irei atingir verdadeiramente e outras parece que consegui até...até ao dia que aquele/a pessoas reabre a ferida com uma atitude ou uma palvra irreflectida.
É um caminho longo...
Ainda estou a aprender a fazê-lo.
Obrigada peloempurrão.
Abraço aqui da nossa cidade
Marta M


De Sheila a 27 de Novembro de 2009 às 01:08
Querida amiga
Perdoa-me mas este será dos comentários que nunca irei esquecer. Bem haja de coração pelo teu carinho :))
Sim é dificil perdoarmos verdadeiramente. Haverá sempre vestigios da ferida dentro de nós. Há coisas que são muito dificeis de perdoar e jamais conseguimos perdoar e é como dizes ficamos sempre de pé atrás e num belo dia a ferida pode ter tendência abrir e isso é do pior! Mas acho que há situações que devemos fazer um esforço, porque a vida é demasiado efémera e por vezes temos que passar por algumas situações para conseguirmos crescer interiormente e nos tornarmos mais fortes.
Daqui te envio um abraço com carinho e o desejo que tenhas um excelente dia de 6ªf
Beijo doce amiga


De jabeiteslp a 19 de Novembro de 2009 às 00:20

gostei do exposto
e...
quem sabe sabe...

beijinhos


De Sheila a 27 de Novembro de 2009 às 01:02
:))
Beijinhos doces amigo
Boa 6ª feira


De Infiel a 19 de Novembro de 2009 às 02:34

Desculpa o afastamento, o tempo não pára e as actividades mutiplicam-se

ainda estou de ferias e a escrever um post quando me visitaste :)

este teu post é daquelas coisas que sempre vale a pena ler e reler, são sentimentos e recalcamentos
por vezes nem se perdoa, somente se sublima ou deixa de se dar importancia
a partir do momento em que começamos a dar mais importancia ao "eu" em vez de o que o "outro" fez ou disse, começa a caminhada ziguezeando entre o perdão e aceitação

esquecer? nunca esquecemos nada nem ninguem
perdoar? sim, quando recordamos e deixa de doer
e teriamos conversa para muitas horas

- adorei a menina e da sua alegria aos relampagos, eu tambem gosto de relampagos :)

um abraço com muito carinho




De Sheila a 27 de Novembro de 2009 às 00:55
Hoje sou eu que te peço desculpa minha querida, mas os últimos dias tem sido intensos. Felizmente que amanhã já é 6ªf e o fdsemana vai ter o dobro da duração lol Só de pensar nisso arranjo logo força para enfrentar o meu dia amanhã, que tem já uma agenda dificil e com tanta coisa acontecer!
Eu também acho que nunca esquecemos e que por vezes é muito dificil conseguirmos perdoar a 100%. Quando nos desiludimos é complicado conseguir-se reverter a situação... e quando recordamos é inevitável não sentir a dor da desilusão. Continuo achar que na maior parte das vezes é preciso fazer um esforço, a vida é efémera demais!
Beijo enorme para ti Linda

Ps: Espero que o teu pai esteja bem


De jangadadecanela a 19 de Novembro de 2009 às 09:13
olá Sheila,

Perdoar parece-me ser o primeiro passo para o esquecimento, se os dois caminharem juntos... caso contrario acredtito que o esquecimento será temporário até que algo (ou alguem) traga ao de cima aquilo que não queremos perdoar...

Portanto, voto no perdoar consciente que leve ao esquecimento inconsciente...

ps: adorei o post

um abraço
Luis


De Sheila a 27 de Novembro de 2009 às 00:57
"voto no perdoar consciente que leve ao esquecimento inconsciente" - vai ficar registada porque está simplesmente magnifica esta tua frase!
Obrigado por este belo acrescento de valor ao meu texto. Adorei

Beijinhos


De MIGUXA a 20 de Novembro de 2009 às 17:46
Minha querida amiga,

Desde que a nossa verdadeira vontade seja querer perdoar, não deve haver o "não consigo", perdoo e fico bem comigo mesma; esquecer não sei se será tão fácil, porque ainda que adormecido o assunto, se foi doloroso, a mente não apaga, ainda que não lhe atribua a mesma força significativa.

Amar é saber perdoar, é preciso não esquecer!!!

Beijinhos doces e óptimo fim de semana
Margarida


De Sheila a 27 de Novembro de 2009 às 01:02
Minha querida Margarida :)
Sem dúvida que amar é saber perdoar e esta máxima cai facilmente no esquecimento da nossa desilusão. O sentimento de nos conseguirmos auto-perdoar é também fundamental em muitas situações.
Não é facil esquecer, mas acredito que se dermos mais valor ao tentar recuperar e ultrapassar o que nos desiludiu, que estaremos a contribuir imenso para que a nossa vida seja bem mais feliz!
Beijo enorme doce amiga


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