Quinta-feira, 8 de Outubro de 2009
Afastamentos

 

Temos tendência a achar que um afastamento é apenas a distância fisica que separa as pessoas e a senti-lo quando a saudade bate mais forte. Pode até ser, mas existem outros tipos de afastamento. Nem sempre um afastamento é do “tipo” físico, e quantas vezes é o afastamento emocional que nos magoa bem mais. Também o afastamento fisico e emocional pode acontecer em simultâneo e é das sensações mais frustrantes que podemos vivênciar.

 

Num afastamento fisico podemos manter uma ligação que permita não sentirmos de forma tão dolorosa a separação fisica. Afinal conseguimos manter contacto através de um e-mail, de uma sms, de um telefonema e até de uma música ou de um gosto partilhado, e aqui curiosamente mantemos uma ligação emocional. Também, e quantas vezes, podemos estar fisicamente próximos e no entanto estarmos afastados porque emocionalmente existe algo que nos impede de comunicar com quem está perto de nós. Este afastamento emocional é, sem dúvida alguma, mais angustiante, porque os obstáculos existentes são menos palpáveis e quantificáveis. Para os obstáculos físicos podemos idealizar uma estratégia para os ultrapassar, mas quando eles são emocionais tudo se torna mais complicado, mais subjectivo e menos identificável.

 

Um afastamento nem sempre é uma separação imposta, pode também ser procurado por nós em algumas alturas. Quantas vezes sentimos necessidade de ficarmos sós para podermos reflectir! Quantas vezes nos fechamos na nossa concha para ganharmos tranquilidade! Quantas vezes sentimos  necessidade de nos afastarmos um pouco para relaxar e descansar! Como é salutar sentirmo-nos emocionalmente afastados de tudo o que está à nossa volta, naqueles momentos em que precisamos de respirar, de nos sintonizarmos com o “nosso eu”. Quando impomos ou procuramos um afastamento, cabe-nos a decisão de o voltarmos a iniciar, como resultado daquilo que sentimos ou do que queremos sentir, fruto das opções que tomamos. Quando um afastamento é imposto, sentimo-lo como sendo uma limitação, o resultado de uma decisão que não escolhemos e não controlamos e que bate em nós como uma sensação de incapacidade. Quantas vezes tentamos uma aproximação e percebemos que é impossível pelas mais variadas razões!

 

Um outro tipo de afastamento pode ainda ser uma decisão repartida, em que o afastamento é, de certa forma, o preço que temos que pagar para obter alguma coisa que nos é importante. É um afastamento imposto por algo que desejamos ou que consideramos importante ou vital para o nosso bem estar.

 

Em suma, se um afastamento é físico, este termina quando os obstáculos são transpostos: a distância, a disponibilidade, o tempo, etc. Se for emocional tem que ser restabelecida a confiança para que o afastamento termine e tem que voltar a existir necessidade de presença emocional entre as partes.

 

Deste ponto de vista, o afastamento físico por mais complicado que pareça pode ser sempre mais simples de ser ultrapassado do que um afastamento emocional, já que depende essencialmente da nossa capacidade em ultrapassar os obstáculos físicos, enquanto que um afastamento emocional depende muito de vontades mútuas e do conseguir gerir os sentimentos envolvidos.

 

Nos afastamentos definitivos temos que saber aceitar e conviver com eles, respeitando a sua memória mas sem ficarmos presos a ela. As nossas memórias ou fragmentos de situações ou relações nunca deixam de fazer parte das nossas vidas e muitas vezes são a base da pessoa que somos.

 

Tenha pena de alguns afastamentos que vou observando e sentindo ao longo da minha vida. Na minha habitual rotina aprendi a conviver com determinadas ausências e passei a viver em sintonia com o que tenho e com quem me acompanha, porque e acima de tudo o importante é valorizar verdadeiramente cada momento, cada pedacinho de algo vivênciado, porque tenho bem presente que há momentos e pessoas que são únicas, que passam por nós, mas nem sempre ficam.

 

Termino esta minha divagação com uma frase de Leonardo da Vinci, e que faz imenso sentido para mim: “Para estar junto não é preciso estar perto, e sim do lado de dentro”.

 



publicado por Sheila às 11:26
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18 comentários:
De Just Moments a 8 de Outubro de 2009 às 13:06
Obrigada Linda!!

Era mesmo isso que estava a precisar de ler!
E reflectir!

posso levar??

Beijinhos Fofusca!


De Sheila a 8 de Outubro de 2009 às 18:45
Olá Linda :)
É claro que podes levar :)
Muitos beijinhos doces


De MIGUXA a 8 de Outubro de 2009 às 13:44
Sheila,

Doce e querida amiga,

Fico saciada com o que escreves...palavras sempre tão acutilantes...
Hoje, achei que podia ter sido eu a dizê-las...Não fui mas, senti-as bem fundo no meu coração...

Obrigada por fazeres parte da minha vida:)

Beijos doces
Margarida


De Sheila a 8 de Outubro de 2009 às 18:49
Minha ternurinha :)
É curioso que quando ando com mais trabalho, mais necessidade e vontade tenho de escrever, acho que é uma forma de me forçar a parar e a dar a minha atenção a outro lado que é também importante para mim. E quando chega a vontade de escrever é de aproveitar, há alturas que não sai mesmo nada lol
É muito bom ter-te na minha vida também :)
Bem haja pela tua doçura, ternura e amizade
Um grande beijo abraçado


De cuidandodemim a 8 de Outubro de 2009 às 13:44
Faço minhas as palavras da justMoments...
Mais do que levar, vou imprimir! :)
Bjns


De Sheila a 8 de Outubro de 2009 às 19:06
ena :)
até fico orgulhosa :)
Obrigada linda
Muitos Beijinhos


De green.eyes a 8 de Outubro de 2009 às 14:44
Olá Sheila

A frase de Leonardo da Vinci diz tudo.
O afastamento emocional é sempre o mais dificil de suportar ...

Beijinhos


De Sheila a 8 de Outubro de 2009 às 19:09
Olá Ana :)
Eu também acho que sim, que diz mesmo tudo!
Eu acho que qualquer afastamento é sempre díficil, mas acredito que a vida é sábia e que numa determinada ocasião passamos a compreender melhor o porquê de certos acontecimentos.
Grande Beijo para ti amiga :)

Espero que o teu filhote lindo esteja bem :) Beijinho para ele e muita sorte


De mafalda-momentos a 8 de Outubro de 2009 às 17:30

Sheila
Há tempo que não te deixo um comentário... mas posso te afirmar que não é afastamento (estou a brincar, mas é mesmo verdade).

Sobre o que hoje escreves não poderia estar mais de acordo contigo.
O pensamento de da Vinci (já o conhecia) e como Homem do Mundo que foi em tantas áreas - Esse Génio - transmitia bem o que sabia.
Deixo-te com amizade e um outro pensamento dele, cujo contexto vai ao encontro daquilo que sempre queres transmitir.
"O mais nobre prazer é a alegria de compreender"
Mafalda


De Sheila a 8 de Outubro de 2009 às 19:12
Olá Linda :)
Não te preocupes, mesmo eu tenho passado por aqui, leio e sorrio para alguns posts de outros blogs, mas não tenho tido muito tempo para me dedicar a comentários. Ultimamente tenho é tido mais vontade de escrever e em minutos e fruto do que sinto tenho alturas que a escrita flui de uma forma incrivel!
A frase que me deixas também diz tudo e é uma grande verdade! Obrigada pela partilha e pelo carinho amiga :)
Beijo enorme para ti


De cumplicedotempo a 8 de Outubro de 2009 às 21:55
mas eu agora pergunto te minha amiga
será possível eu cúmplice me afastar deste docerefugio....? espera ai não respondas ... repara nas letrinhas que se juntam nestas palavras que agora vais lendo e imagina o sorriso que em mim esta estampado :)
pois é quanto a isso estamos falados ehehehhe

tantas vezes esquecemos que pequenos gestos tal como dissestes e bem , por mais banais que nos possam parecer , podem significar momentos mágicos por mais ínfimos que eles sejam
sou e sempre fui apologista que das mais pequenas coisas ou gestos , se fazem as grandes obras
e para se o conseguir o afastamento e certeza algo que não faz parte da lista
poderia me alongar e muito no tema , mas nem o consigo dado a excelência e a forma completa como escreveste sobre o tema

beijo cúmplice muito especial minha doce amiga


De Sheila a 9 de Outubro de 2009 às 01:46
lol só tu meu querido e amigo cúmplice :)
curiosamente hoje à tarde recebi um telefonema de um amigo com quem já não falava há uns meses. Parece que foi um recado da vida lol
Mas tenho efectivamente pena que a rotina, ou o dia a dia, ou a vida nos imponha um certo afastamento principalmente naquelas situações em que não fomos nós que escolhemos e que durante algum tempo até tentámos combater, mas que no final sentimos que temos que deixar a vida, a rotina ou o dia a dia seguir o seu rumo.
E há momentos na vida que são únicos, que não se repetem, que ficam vivos na nossa memória e nos fazem viver e seguir em frente porque foram momentos que já valeram a pena e o melhor da vida é sentirmos que valeu a pena!
Um beijo especial e com cumplicidade para ti meu doce e querido amigo :)


De Selene a 8 de Outubro de 2009 às 22:09
Olá.
Identifiquei-me muito com o afastamento emocional porque não é do afastamento físico que tenho medo, embora quando estamos longe fisicamente de uma pessoa parece que as saudades aumentam.
Tenho necessidade do afastamento emocional para me manter sã, para não entrar em pânico, para me focar no que realmente importa.
Eu sinto muito o afastamento das pessoas que gosto, nunca me esqueço delas e fico triste porque não se lembram de mim...
beijinhos doces, bons sonhos.


De Sheila a 9 de Outubro de 2009 às 01:58
Olá doçura :)
Sabes linda, não gosto de afastamentos sejam fisicos ou emocionais. Gosto de ter saudades de momentos especiais, de vivências e trocas de experiências, mas sentir que houve um afastamento directo de alguém em particular é sempre doloroso e frustrante de aceitar.
No entanto, não deixo de viver a minha vida ou não me lamento a achar que não consigo viver sem aquela ou outra pessoa que simplesmente decidiu afastar-se. A vida é mesmo assim. Há pessoas que entram na nossa vida por algum motivo, exercem a sua força ou a sua importância durante um determinado tempo, mas nem sempre ficam e há que ter a capacidade de aceitar isso por mais que nos custe. Também tenho necessidade de por vezes me afastar tanto fisica como emocionalmente, precisamente porque só desta forma é que consigo encontrar o meu equílibrio, também preciso do meu tempo, do meu espaço, de estar com o meu eu e acho que isso é salutar. Com o avançar da idade, e com algumas desilusões que vamos tendo, vamos-nos tornando mais selectivos. Se nós temos vontade de nos afastarmos de algumas pessoas, temos que ter a capacidade de aceitar que essa seja também a postura de outros perante nós, apenas temos é mais tendência para vermos só o nosso lado e isso faz-nos ficar mais tristes e acho que é isso que sentes.
Deixo-te muitos beijinhos e o desejo de uma noite com sonhos doces e que amanhã tenhas um dia luminoso.
Até amanhã linda :)


De Selene a 9 de Outubro de 2009 às 09:30
Ora bem visto...Deixaste-me a pensar...
Um bom dia para ti também, beijinhos doces.


De Sheila a 9 de Outubro de 2009 às 10:07

and smile because it's Friday :))))
Beijinhos doces


De comunicadoras a 8 de Outubro de 2009 às 22:13
Essa última frase diz tudo! Eu costumo dizer que hoje há imensos divórcios, mas, na realidade há muitos mais do que aqueles que constam das estastísticas; há casais que continuam juntos, mas completamente divorciados; outros, ainda não estão divorciados juntos, mas estão afastados mesmo juntos, estes últimos são muitíssimos e este tipo de afastamento é muito difícil de superar; já não há diálogo, partilha; há só o estritamente necessário: eu costumo dizer que há solidão sem se estar só e isso é triste...doi muito! Todos os afastamentos são difíceis de aceitar, mas estes emocionais são, às vezes terríveis. Um beijinho e parabéns pelo texto
Emília


De Sheila a 9 de Outubro de 2009 às 02:06
A última frase diz tudo sim, é daquelas frases que faz todo o sentido, é incrivel!
Concordo contigo na questão dos divórcios camuflados, e custa-me aceitar que muitas pessoas não tenham a coragem de assumir uma separação e de se darem a oportunidade de tentarem ser felizes. Um filho não mantém nenhum casamento, e muito menos um casamento de fachada, sem carinho, sem cumplicidade e às vezes as pessoas fazem um esforço no sentido contrário do que deviam fazer.
Para mim qualquer afastamento é dificil de sentir. Sou uma pessoa muito emotiva, que vive intensamente, que gosta de estar rodeada pelos amigos e nos momentos em que isso não acontece sinto na pele essa falta. No entanto e se eu própria me afasto de algumas pessoas, lá está o tornarmo-nos selectivos nas amizades, tenho que aceitar que outros o façam comigo não é?.
Felizmente tenho muito poucas situações neste sentido e o afastamento que mais impera é o fisico, aquele que de alguma forma se supera mais facilmente.
Obrigada pela tua visita amiga e mais uma vez pela partilha da tua cumplicidade
Beijinhos doces


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